
Visita técnica da vice-reitora à unidade abre caminho para o uso de dados e pesquisas que podem contribuir para novas estratégias de cuidado e políticas públicas
A troca de experiências entre a universidade e a rede pública de saúde pode abrir novos caminhos para quem enfrenta a obesidade. Foi com esse propósito que representantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizaram, nesta segunda-feira (24), uma visita técnica à Clínica da Obesidade de Macaé, fortalecendo uma parceria voltada à pesquisa e ao aprimoramento dos tratamentos oferecidos aos pacientes.
A proposta é utilizar, de forma técnica e científica, dados gerados pela própria unidade para compreender melhor a resposta dos pacientes aos diferentes tratamentos e, a partir dessas informações, contribuir para estratégias que ampliem a qualidade da assistência e a capacidade de acompanhamento dos casos.
Para a gerente de Alimentação e Nutrição, Gabriella Menezes, a aproximação com instituições de ensino e pesquisa representa um passo importante não apenas para avaliar os resultados atuais, mas também para pensar o futuro das políticas públicas.
“Para a gente, como gestora, é sempre muito importante essa parceria com os institutos de estudo para que possamos estar subsidiando não só resultados agora em relação à epidemiologia, mas também para que possamos tratar de políticas públicas futuramente através dessa parceria com a universidade”, destacou.
Segundo Gabriella, o trabalho desenvolvido em conjunto com a UFRJ tem caráter pioneiro no interior do Estado do Rio de Janeiro. “A gente está avançando e Macaé mais uma vez é referência no tratamento e na pesquisa dentro da vertente de obesidade”, enfatizou.
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Pesquisa a serviço do cuidado
A visita contou com a presença da vice-reitora da UFRJ, Cássia Curan Turci, que conheceu a estrutura da Clínica da Obesidade a convite da professora Keise Tibau Albuquerque, coordenadora do Laboratório de Pesquisa Assistencial em Doenças Crônicas da universidade.
Cássia destacou que a parceria entre a universidade e o município vem sendo construída há anos e pode trazer benefícios para diferentes áreas, incluindo a formação dos estudantes e a estrutura necessária para o desenvolvimento das atividades acadêmicas e de saúde.
“Só com parcerias importantes, pensando na educação, é que nós conseguimos avançar”, afirmou a vice-reitora, lembrando também da importância dos espaços de estágio para os alunos da UFRJ.
A professora Keise explicou que o laboratório acompanhará informações relacionadas aos tratamentos realizados pelos pacientes atendidos na unidade. O objetivo é avaliar respostas clínicas, fisiológicas e antropométricas e, assim, reunir elementos que possam contribuir para o aperfeiçoamento das estratégias de assistência.
Atualmente, o trabalho envolve, entre outros grupos, pacientes submetidos a diferentes intervenções previstas no tratamento da obesidade, como o uso de medicamentos, cirurgia bariátrica e balão intragástrico.
“A gente trabalha com dados que são gerados na própria unidade, a fim de melhorar a capacidade resolutiva desses pacientes na condução dos tratamentos”, explicou a coordenadora.

Tratamento público e histórias que refletem a importância do serviço
Mais do que números e pesquisas, o trabalho realizado na Clínica da Obesidade também se traduz em mudanças na rotina de quem encontra no serviço público a oportunidade de cuidar da saúde.
Atualmente, a unidade conta com cerca de 800 pacientes cadastrados, sendo que aproximadamente 130 realizam tratamento medicamentoso dentro dos critérios estabelecidos pelo protocolo clínico do Programa Municipal de Obesidade.
A dona de casa Eliane Carvalho, de 53 anos, moradora do Lagomar, começou o acompanhamento pela rede municipal em 2025. Após passar pelo endocrinologista, foi encaminhada à Clínica da Obesidade, onde também recebe acompanhamento de nutricionista e psicólogo e participa de atividades em grupo.
“Quando iniciei o tratamento tinha 167 quilos e hoje, após três meses, estou com 158 quilos. Estou me sentindo mais animada e disposta. Se eu tivesse que pagar, não teria condições”, contou.
A história de Eliane ajuda a dimensionar a importância de uma rede pública que ofereça acompanhamento especializado. Afinal, o tratamento da obesidade envolve diferentes fatores e exige um olhar que vai além de uma única intervenção, reunindo acompanhamento médico, nutricional e psicológico.
Atendimento multidisciplinar
Localizada na Rua Antero Perlingeiro, 47, no Centro, a Clínica da Obesidade conta com uma equipe formada por nutricionistas, psicólogos, endocrinologistas, cirurgião bariátrico e cardiologista. A unidade oferece consultas individuais e atividades em grupo, enquanto determinados tratamentos são indicados de acordo com a avaliação clínica e os critérios estabelecidos pelo programa.
Para acessar o serviço, o paciente deve procurar inicialmente o atendimento de Nutrição em sua unidade de referência — seja na Estratégia Saúde da Família (ESF) ou em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Após o acolhimento, poderá ser inserido na Linha de Cuidados de Sobrepeso e Obesidade.
Com a aproximação entre a UFRJ e a rede municipal, a expectativa é que o conhecimento produzido a partir da experiência dos próprios pacientes também contribua para aperfeiçoar o cuidado. Quando a pesquisa encontra a realidade do serviço público, quem está no centro dessa construção é o paciente — e é justamente aí que a ciência pode se transformar em mais qualidade de vida.
Fonte: Secom / Jornalista: Liliane Barboza







