
Formação reuniu servidores e especialistas para discutir prevenção, acolhimento e mecanismos de enfrentamento no serviço público
Prevenir situações de violência, assédio e discriminação no ambiente de trabalho também passa pela informação. Com esse propósito, a Prefeitura de Macaé promoveu, nesta terça-feira (18), uma capacitação voltada a servidores públicos das esferas municipal, estadual e federal.
Com o tema “Contra a Violência, Assédio Moral e Sexual, Discriminação, bem como Promoção da Inclusão e Diversidade no Ambiente de Trabalho da Administração Pública”, o encontro foi conduzido por Adriana Ramos, diretora da Escola de Contas e Gestão do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (ECG/TCE-RJ), doutora e mestre em Direito.
Durante a formação, foram abordados temas como violência de gênero, assédio moral e sexual, discriminação, inclusão, diversidade e saúde mental. A palestrante também destacou a importância da escuta, do acolhimento e da existência de mecanismos capazes de registrar e encaminhar situações que muitas vezes permanecem invisíveis no cotidiano.
Violência pode começar em atitudes naturalizadas
Ao falar sobre prevenção, Adriana chamou atenção para comportamentos que, embora muitas vezes tratados como brincadeira ou algo comum nas relações de trabalho, podem contribuir para a criação de ambientes hostis.
“Precisamos trabalhar a escuta ativa e qualificada, o acolhimento e a informação. A violência não começa com um feminicídio. Muitas vezes, ela se manifesta em pequenas ações cotidianas, em piadas, constrangimentos, humilhações e comportamentos que vão sendo naturalizados”, ressaltou.
Nesse sentido, a construção de uma cultura de respeito depende não apenas de normas, mas também da postura de gestores e equipes.
“Nosso compromisso é fazer com que as pessoas se sintam constrangidas em humilhar, constranger ou fazer piadas que atinjam o outro. O engajamento da equipe depende também da postura do gestor”, afirmou.
A especialista também destacou a importância dos protocolos e das ouvidorias, visto que os registros ajudam a revelar situações que antes permaneciam sem visibilidade.
“Antes, muitas situações permaneciam invisíveis. Hoje, protocolos e ouvidorias recebem manifestações e possibilitam que os casos sejam registrados. Os dados são importantes porque não é possível criar políticas públicas eficazes de enfrentamento à violência sem conhecer a realidade”, explicou.
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Informação como ferramenta de prevenção
Para o Controlador-Geral do Município, Edilson Santana, a capacitação amplia a preparação dos servidores para reconhecer e encaminhar situações de violência, assédio e discriminação.
“Quanto mais informação e conhecimento tivermos, maior será nossa capacidade de prevenir situações, orientar as pessoas e fortalecer uma Administração Pública pautada pelo respeito e pela integridade”, destacou.
A Subcontroladora-Geral do Município, Fernanda Soares Felix, também ressaltou a importância dos dados para identificar problemas e orientar ações.
“É por meio dos dados que se consegue identificar aquilo que precisa ser enfrentado e, para combater, é necessário primeiro conhecer, reconhecer e nomear.”

Segundo Fernanda, a formação também contribuiu para diferenciar as diversas formas de violência, assédio e discriminação, inclusive aquelas que aparecem de maneira velada ou acabam sendo naturalizadas nas relações profissionais.
Ouvidoria atua no acolhimento
Outro ponto reforçado durante a capacitação foi o papel da Ouvidoria no recebimento e acolhimento das manifestações. A unidade, no entanto, não substitui os setores responsáveis pela investigação e apuração de cada caso.
Para a Ouvidora-Geral da Prefeitura de Macaé, Denize Neto, preparar os servidores é fundamental para que as situações sejam identificadas e encaminhadas corretamente.
“A Ouvidoria está preparada para receber manifestações por meio de uma escuta ativa, com atendimento qualificado, sigiloso e confidencial. Nosso papel é acolher, orientar e dar o encaminhamento adequado às demandas recebidas, respeitando as competências de cada setor e garantindo que o cidadão seja ouvido com atenção e respeito”, afirmou.
A formação também contou com a participação do ouvidor técnico Alex Xavier, além de representantes de diferentes setores da administração municipal.
A iniciativa integra a agenda de formação da Escola de Contas e Gestão do TCE-RJ. A programação reforça que informação, escuta e prevenção são instrumentos importantes para construir ambientes de trabalho mais seguros, respeitosos e comprometidos com a dignidade das pessoas.







