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Novembro Negro movimenta Macaé com cultura, formação profissional e empreendedorismo

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O Curso de Tranças para Iniciantes possibilita geração de renda será realizado por três dias.
O Curso de Tranças para Iniciantes possibilita geração de renda será realizado por três dias.

Programação reúne atividades culturais, debates e ações de valorização da população negra; curso de tranças começou com 24 participantes e município já registra 100 profissionais cadastrados na área

Macaé iniciou a programação do Novembro Negro 2026 com ações voltadas à valorização da cultura afro-brasileira, à formação profissional e ao fortalecimento das políticas de igualdade racial. A agenda, organizada pela Secretaria Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEMPIR), reúne atividades culturais, palestras, apresentações artísticas, oficinas e iniciativas de incentivo ao empreendedorismo.

Uma das primeiras atividades foi o Curso de Tranças para Iniciantes, iniciado no dia 3 de novembro, com 24 participantes distribuídos nos turnos da manhã e da tarde. A iniciativa busca valorizar uma prática tradicional da cultura afro-brasileira e, ao mesmo tempo, oferecer oportunidades de qualificação e geração de renda.

As aulas seguem até quinta-feira (5), na sede da SEMPIR, em Imbetiba. A entrega dos certificados está prevista para sexta-feira (6), às 18h.

Qualificação e troca de experiências fortalecem o empreendedorismo e ampliam oportunidades de geração de renda. Foto: Bruno Campos
Qualificação e troca de experiências fortalecem o empreendedorismo e ampliam oportunidades de geração de renda. Foto: Bruno Campos

Segundo o secretário municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Anderson Kayron, a procura superou as expectativas, e a Secretaria já considera ampliar a oferta de vagas no próximo ano.

“Vamos ampliar as vagas, pois a procura foi maior do que nossas expectativas, que existe uma fila de espera para participar do curso”, afirmou.

A subsecretária da pasta, Sheila Juvêncio, explicou que a iniciativa também abriu espaço para mulheres atendidas pelo Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam), por meio de parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres.

O curso é ministrado pela trancista Jheniffer Braga, profissional com 18 anos de experiência e cinco anos de atuação como instrutora. As participantes aprendem técnicas básicas que podem servir de base para trabalhos mais elaborados.

Para a aluna Tatiane Vieira, a formação representa uma oportunidade de conquistar autonomia financeira e ampliar os conhecimentos sobre uma tradição cultural.

“Estou gostando muito do que estou aprendendo, pois é uma forma de fomentar a nossa independência financeira, principalmente para quem se encontra em vulnerabilidade social. A trança tem uma história fascinante e valoriza a cultura negra. Espero que tenham mais cursos gratuitos como esse”, comentou.

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Macaé já registra 100 profissionais de tranças

Além da qualificação, a SEMPIR mantém um mapeamento online de trancistas que trabalham em Macaé. Atualmente, são 100 profissionais cadastrados, entre mulheres e homens.

O levantamento busca identificar quem atua com trançados afro-brasileiros, seja em salões de beleza ou por meio de atendimentos domiciliares, abrangendo bairros da região central e localidades da região serrana.

A proposta é conhecer melhor o perfil desses trabalhadores, identificar suas áreas de atuação e levantar necessidades da categoria. As informações poderão orientar futuras políticas públicas, programas de qualificação e iniciativas de apoio ao empreendedorismo.

Aprender novas técnicas é também abrir caminhos para a independência financeira e a autonomia profissional.
Aprender novas técnicas é também abrir caminhos para a independência financeira e a autonomia profissional.

A atividade também reconhece o papel dos trançados na preservação de conhecimentos transmitidos entre gerações, na valorização da identidade étnico-racial e na movimentação da economia local.

Em 2024, o município instituiu, por meio da Lei Municipal nº 5.230/2024, o Dia Municipal da Pessoa Trancista, celebrado em 6 de junho e incorporado ao calendário oficial de Macaé.

Programação reúne arte, memória e reflexão

As atividades do Novembro Negro seguem ao longo do mês, com eventos em diferentes espaços da cidade.

No dia 5 de novembro, às 19h, o Teatro do Sindipetro-NF recebe o espetáculo “Clara em Recital Preto”, do Coletivo Artístico Clara, em homenagem à cantora Clara Nunes e à contribuição de sua obra para a música popular brasileira e a cultura afro-brasileira.

Entre os destaques também está o Prêmio Carukango 2026, marcado para o dia 11, das 18h às 21h, no Solar dos Mellos. No dia 12, haverá palestra na Cidade Universitária, das 18h às 21h, além de uma atividade de conscientização durante a programação da Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho (SIPAT).

A Câmara Municipal também integra a agenda com uma palestra no dia 18, às 14h, voltada à reflexão sobre o racismo estrutural, suas manifestações no cotidiano e a valorização da história e das expressões culturais negras.

No Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, a partir das 7h, será realizada a Caminhada da Igualdade. A concentração será no Busto de Carukango, junto ao Museu Legislativo, no Centro, com percurso até o ponto conhecido como Baobá, na Praia de Imbetiba.

Educação, identidade e empreendedorismo se encontram na valorização do trabalho das trancistas.
Educação, identidade e empreendedorismo se encontram na valorização do trabalho das trancistas.

Nos dias 20 e 21, a Praia de Imbetiba também recebe a Feira Afro Macaé, das 11h às 21h40. A iniciativa reunirá empreendedores, artistas e expositores, com destaque para a produção cultural e econômica da população negra.

FeMASS promove encontro sobre memória e resistência afro-indígena

A programação também contempla o Novembro Negro da FeMASS, com o tema “Memória e (re)existência afro-indígena na América Ladina”. O evento acontece de 9 a 11 de novembro, na Cidade Universitária, com organização do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI – Sonia Maria Santos), em parceria com a SEMPIR e outras instituições e iniciativas.

A agenda reúne palestras, rodas de conversa, atividades de saúde, cinema e apresentações culturais, com participação da comunidade acadêmica, sociedade civil e órgãos públicos.

No dia 9, às 18h, será realizada a palestra “Sankofa: revisitando a trajetória de Sonia Maria dos Santos”. Às 20h, acontece a apresentação “NEABI: nós somos, porque Sonia Maria foi, ubuntu!”.

No dia 10, a programação inclui uma roda de conversa sobre educação para as relações raciais e os desafios da implementação de políticas públicas nas escolas. Também haverá atividades de promoção à saúde da população negra e o cinedebate “Nós, povos indígenas (re)existimos!”.

O encerramento, no dia 11, terá a roda de conversa “Celebrações circulares: a importância da Festa na Diáspora Africana”, às 18h, seguida de apresentação de samba com Pra Maria, às 20h, no jardim da FeMASS.

As ações do Novembro Negro buscam ampliar o debate sobre igualdade racial, reconhecer a contribuição histórica e cultural da população negra e fortalecer iniciativas de formação, inclusão e valorização profissional em Macaé.

Fonte : SECOM / Imagens : Bruno Campos
Redação O Sol Acontece – Jornalismo Regional

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