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Pequena África inspira pesquisa para o Festival Ubuntu de Arraial do Cabo

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Reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco, o Cais do Valongo é um marco da memória da diáspora africana e da história da escravidão nas Américas.
Reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco, o Cais do Valongo é um marco da memória da diáspora africana e da história da escravidão nas Américas.

Visita de servidores ao circuito histórico do Rio de Janeiro reuniu memória, ancestralidade e formação racial para contribuir com a programação do festival, previsto para novembro.

A história da população negra, as marcas da escravidão e a resistência que ajudou a construir a identidade cultural brasileira estão no centro de uma pesquisa que começa a ganhar forma para o Festival Ubuntu, em Arraial do Cabo. Nesta quarta-feira (14), servidores da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa estiveram na Pequena África, na região portuária do Rio de Janeiro, em uma visita de campo voltada à formação e à construção da programação do evento.

O percurso passou por lugares que preservam a memória da diáspora africana e ajudam a compreender a participação da população negra na formação social e cultural do Brasil. A experiência também reuniu representantes da Secretaria Municipal de Educação, por meio da Coordenação de Projetos e Ações Étnico-Raciais, além de integrantes da sociedade civil.

A proposta é levar esse conhecimento para as ações do Festival Ubuntu, previsto para novembro, em Arraial do Cabo, com foco na valorização da cultura afro-brasileira, da ancestralidade e da memória negra.

Servidores da Cultura e da Educação de Arraial do Cabo e representantes da sociedade civil durante visita ao Museu Memorial Pretos Novos, na Pequena África, Rio de Janeiro.
Servidores da Cultura e da Educação de Arraial do Cabo e representantes da sociedade civil durante visita ao Museu Memorial Pretos Novos, na Pequena África, Rio de Janeiro.

Pequena África: território de memória e resistência

Localizada na zona portuária do Rio de Janeiro, a Pequena África concentra importantes referências da história afro-brasileira. A região está ligada ao tráfico de africanos escravizados, à resistência da população negra e à preservação de manifestações culturais que contribuíram para a identidade do país, como o samba. .

Durante a visita, o grupo percorreu um circuito guiado pelo Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN), com passagens pelo Largo de São Francisco da Prainha, Pedra do Sal, Mirante do Morro da Conceição, Jardim Suspenso do Valongo, Casa da Tia Ciata e Cais do Valongo.

Cada espaço guarda aspectos de uma história que, por muito tempo, foi marginalizada nas narrativas oficiais. Ao mesmo tempo, esses locais evidenciam a contribuição africana e afro-brasileira para a cultura, a religiosidade, a música e a formação da sociedade brasileira.

Reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco, o Cais do Valongo é um marco da memória da diáspora africana e da história da escravidão nas Américas.
Reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco, o Cais do Valongo é um marco da memória da diáspora africana e da história da escravidão nas Américas.

Entre os pontos visitados está o Cais do Valongo, sítio arqueológico reconhecido como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em 2017. Construído em 1811, o cais foi um dos principais locais de desembarque de africanos escravizados nas Américas e constitui um importante marco da memória da diáspora africana.

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Museu Memorial Pretos Novos preserva uma história dolorosa

O circuito terminou no Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos, instituição dedicada à pesquisa, à educação e à preservação da memória da diáspora africana.

O museu está instalado no terreno do antigo Cemitério dos Pretos Novos, onde eram sepultados africanos escravizados que morriam após chegar ao Rio de Janeiro. O local foi redescoberto em 1996, durante obras realizadas em uma residência, quando foram encontrados vestígios arqueológicos que revelaram a dimensão da violência sofrida por essas pessoas.

O sítio preserva evidências de um dos capítulos mais brutais da história brasileira. A instituição desenvolve atividades de pesquisa e educação para dar visibilidade a essa memória e contribuir para uma compreensão da escravidão que reconheça a violência imposta aos africanos e seus descendentes. .

Fachada da Casa da Tia Ciata, na região da Pequena África, no Rio de Janeiro, espaço ligado à memória e à valorização da cultura afro-brasileira.
Fachada da Casa da Tia Ciata, na região da Pequena África, no Rio de Janeiro, espaço ligado à memória e à valorização da cultura afro-brasileira.

A visita a espaços como esse amplia o debate sobre o passado escravista e seus efeitos na sociedade contemporânea. Preservar essa memória também significa reconhecer histórias, identidades e contribuições que não podem ser apagadas.

Formação racial e construção do Festival Ubuntu

Além do roteiro histórico, a atividade integrou um processo de formação e letramento racial, articulando pesquisa, educação e políticas culturais.

A experiência deverá contribuir para a elaboração de ações comprometidas com o enfrentamento ao racismo, o protagonismo negro e o reconhecimento dos saberes ancestrais, princípios que orientam a proposta do Festival Ubuntu.

A participação de servidores da Cultura, representantes da Educação e integrantes da sociedade civil também aproxima diferentes áreas na construção de iniciativas culturais com dimensão educativa e social.

Previsto para novembro, em Arraial do Cabo, o Festival Ubuntu terá a cultura afro-brasileira como eixo de valorização da ancestralidade e da memória negra. A pesquisa realizada na Pequena África integra esse processo de preparação e amplia as referências históricas que poderão dialogar com a programação do evento.

Fonte e fotos: Secom

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