
Caso em São Pedro da Aldeia, que terminou com a eutanásia de um animal gravemente ferido, reforça os riscos para motoristas, pedestres e os próprios cavalos. Problema também é relatado em outras localidades da região.
Cavalos circulando livremente às margens de rodovias, em estradas e até dentro de áreas urbanas têm preocupado moradores e motoristas na Região dos Lagos. Além de colocar em risco a segurança viária, a presença de animais de grande porte em vias públicas pode resultar em acidentes graves, com consequências para os condutores, passageiros e os próprios animais.
Um caso registrado na Estrada do Pau-Ferro, em Campo Redondo, São Pedro da Aldeia, voltou a chamar a atenção para o problema. Segundo o médico-veterinário João Pedro Rangel, que trabalha na Secretaria Municipal de Agricultura, um cavalo sofreu uma fratura exposta grave e precisou passar por eutanásia para interromper o sofrimento.
O episódio evidencia uma situação que vai além de uma ocorrência isolada. Há relatos de animais soltos em diferentes pontos da Região dos Lagos, incluindo Arraial do Cabo, Cabo Frio e Barra de São João, distrito de Casimiro de Abreu. Nesses locais, a circulação de cavalos próximos às pistas e em áreas habitadas aumenta a preocupação de quem utiliza diariamente as vias.
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Veterinário alerta para risco de acidentes fatais
João Pedro Rangel afirma que ocorrências envolvendo cavalos soltos são frequentes e que, há bastante tempo, acompanha casos desse tipo. Segundo ele, uma das situações recorrentes acontece quando o animal é deixado preso em um campo, mas consegue escapar e chega à estrada.
O veterinário alerta que uma colisão com um cavalo pode ter consequências graves, tanto para o animal quanto para as pessoas que estão dentro do veículo.
“Infelizmente, os casos de cavalos soltos em vias públicas são muito frequentes na nossa região. Muitas vezes, o proprietário deixa o animal preso em um campo, ele acaba se soltando e indo para a estrada, podendo provocar acidentes fatais, tanto para o cavalo quanto para uma família inteira dentro de um veículo”, relata.

De acordo com o profissional, em diversas ocorrências ele se desloca até o local para prestar atendimento, muitas vezes sem apoio e utilizando recursos próprios. Quando o animal apresenta lesões irreversíveis, como fraturas graves ou expostas, a eutanásia pode ser necessária para evitar sofrimento prolongado.
Caso em Campo Redondo terminou em eutanásia
A ocorrência mais recente relatada pelo veterinário aconteceu na Estrada do Pau-Ferro, em Campo Redondo, São Pedro da Aldeia. O cavalo apresentava uma fratura exposta grave e, diante do quadro, precisou ser submetido à eutanásia.
O caso também chama a atenção para a vulnerabilidade dos animais que ficam soltos ou escapam de áreas de contenção. Além do risco de atropelamento, eles podem sofrer fraturas e outros ferimentos graves ao tentar atravessar ruas e rodovias.
A situação reforça a importância de manter os animais em locais seguros, com cercas e estruturas adequadas, e de impedir que tenham acesso livre às vias de circulação.
Problema ultrapassa os limites de um município
A presença de cavalos soltos não se restringe a São Pedro da Aldeia. Moradores também relatam situações semelhantes em outros pontos da Região dos Lagos, inclusive em trechos urbanos, como Barra de São João, distrito de Casimiro de Abreu.
Em Arraial do Cabo, uma ocorrência registrada em setembro chamou a atenção depois que duas éguas foram capturadas nos bairros Sabiá e Caiçara. Segundo informações divulgadas à época, os animais atravessavam a rodovia e, em um dos casos, uma égua atingiu o veículo de um morador. A ação foi realizada pelo Grupamento de Apreensão de Animais do município.
Os episódios reforçam a necessidade de ações permanentes de prevenção, recolhimento dos animais encontrados em situação de risco e identificação dos responsáveis.
Responsabilidade dos proprietários e atuação do poder público
A prevenção começa com a guarda responsável. Proprietários precisam garantir que os animais permaneçam em áreas devidamente cercadas e não tenham acesso às vias públicas. Quando um cavalo escapa, a falta de contenção pode colocar em risco a vida de pessoas e do próprio animal.
Em São Pedro da Aldeia, a Lei Municipal nº 3.277, de 24 de junho de 2025, estabelece regras para o recolhimento de animais de produção encontrados soltos em vias públicas urbanas e rurais. A legislação prevê procedimentos para apreensão, identificação, acolhimento e restituição dos animais, além de penalidades para os responsáveis, conforme as condições previstas na norma.
A existência de regras, porém, precisa estar acompanhada de fiscalização, estrutura para recolhimento e atendimento das ocorrências, além de orientação aos proprietários.
Conscientização é fundamental para evitar novas tragédias
Para João Pedro Rangel, dar visibilidade aos casos é uma forma de conscientizar a população e contribuir para mudanças de comportamento.
“Venho batendo nessa tecla há muito tempo porque precisamos de mais conscientização e responsabilidade. Acredito que, com a divulgação desses casos, podemos alcançar mais pessoas e, aos poucos, mudar essa triste realidade da nossa região”, afirma.
Enquanto cavalos continuarem circulando sem supervisão por ruas e rodovias, o risco de acidentes permanecerá. O enfrentamento do problema exige responsabilidade dos proprietários, atuação dos órgãos públicos e canais de atendimento que permitam à população comunicar a presença de animais em locais perigosos.
A preocupação é regional: evitar que novos acidentes aconteçam e garantir, ao mesmo tempo, a segurança de quem trafega pelas vias e a proteção dos animais.
Fontes e vídeo: Dr. João Pedro/ Arquivo pessoal
@dr.joaopedrorangel









